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Eleições SC 2026: Superficialidade e Falta de Projeto Político

A corrida eleitoral de SC para 2026 mostra pré-candidatos focados em ambição pessoal. O artigo critica a superficialidade dos anúncios e a ausência de propostas concretas para o Estado.

🟢 Análise

A corrida eleitoral para o governo de Santa Catarina em 2026, com seus pré-candidatos já perfilados na linha de largada, mais se assemelha a um canteiro de obras onde se exibe a fachada antes mesmo de se ter fincado a fundação. Anúncios precoces de nomes e alianças, embora compreensíveis na dinâmica partidária, expõem um cenário ainda nebuloso, sujeito às intempéries da negociação e aos ventos inconstantes da política. A impressão que se forma, num primeiro golpe de vista, é a de uma coreografia de interesses e projeções pessoais, onde a solidez do projeto para o Estado e a clareza das propostas ficam em segundo plano.

É legítima a preocupação de que tal apresentação superficial dos potenciais líderes crie uma ilusão de estabilidade onde há, na verdade, uma volatilidade imensa. Alianças são provisórias, discursos genéricos se esvaem ao menor escrutínio e a ausência de plataformas programáticas concretas é um convite à desinformação do eleitorado. Não basta listar currículos e alinhamentos partidários; o que se espera dos que aspiram a governar é a capacidade de discernir os bens em jogo, ordenar as prioridades e apresentar soluções que atendam à justiça social e à reta razão, conforme a exigência de uma verdadeira ordem profissional na política, como ensinava Pio XI.

A veracidade, virtude cardeal, impõe que se olhe para além do espelho retrovisor dos mandatos passados. O que se propõe para o futuro de Santa Catarina? Quais são as políticas concretas para a saúde, educação, economia e segurança? A mera menção a “polêmicas com aliados” de um candidato ou a uma inconsistência temporal na biografia de outro, sem o devido aprofundamento, é um sintoma da superficialidade reinante. São detalhes que, à primeira vista menores, revelam a fragilidade da narrativa política quando descolada de um compromisso rigoroso com os fatos e com a substância.

Há, ademais, uma assimetria de poder evidente nesse arranjo pré-eleitoral. De um lado, o governador incumbente, com a visibilidade e a estrutura do cargo; de outro, figuras com vasto capital político acumulado, ao lado de partidos recém-criados ou candidatos com histórico de votação modestíssimo. Essa dinâmica tende a concentrar o debate em alguns poucos nomes já estabelecidos, muitas vezes com um reducionismo ideológico simplista, e a ignorar a capacidade de articulação de figuras que, embora menos conhecidas, poderiam trazer a sanidade de propostas concretas para o bem da “casa” catarinense, como Chesterton costumava defender contra a loucura lógica das ideologias. O foco deveria ser a realidade miúda e pulsante do povo, e não a abstração da “direita” ou “esquerda”.

O eleitor, por sua vez, não pode se contentar com a espetacularização da política. A prudência exige que se vá além da superfície, buscando as razões, os princípios e os projetos. Governar não é meramente sentar na cadeira principal; é exercer uma autoridade legítima que se compromete com a ordenação dos bens e com a promoção da vida comum, do salário justo, da propriedade difusa e da vitalidade dos corpos intermediários que compõem o tecido social. A liberdade ordenada do cidadão se manifesta na capacidade de escolher com base em informação completa e em propostas substantivas, não em promessas vazias ou rótulos ideológicos.

O verdadeiro serviço público não se mede pela agilidade em anunciar candidaturas, mas pela tenacidade em construir soluções. Exige um compromisso inabalável com a verdade e uma dedicação incansável à edificação do bem comum, pedra por pedra, proposta por proposta. A máquina pública de Santa Catarina e o futuro de seu povo demandam mais do que a encenação política; reclamam o suor da inteligência e a têmpera da honestidade.

Fonte original: globo.com

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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