O palco da política, onde os holofotes deveriam incidir sem falha, parece ter suas luzes manipuladas por um jogo de sombras em Roraima. Ali, em vez da clareza que o eleitor merece, vemos a dúvida pairar: “Quem é mesmo o candidato?”, questionam aliados e adversários sobre a atuação de Antonio Denarium na campanha de Arthur Henrique. A incerteza se agrava com a cunhada do ex-governador, Tânia Soares, sendo prematuramente aclamada “senadora” pelo próprio filho, numa antecipação que embaralha as cartas e distorce a representação que deveria ser transparente e genuína.
Esta trama de arranjos e especulações não é um caso isolado, mas um sintoma de um processo político que, por vezes, confunde a dinâmica democrática com um balcão de negócios ou um ringue de apostas. A judicialização, que deveria ser um último recurso para garantir a lisura, transforma-se em palco central, como no caso de Faradilson Mesquita, cuja insistência em candidatar-se esbarra em supostas falhas sistêmicas e culmina em multa por litigância de má-fé. E o que dizer da cassação de políticos em Votorantim pelo uso eleitoral de culto religioso? Tais episódios, embora necessários para coibir desvios, revelam que a pureza do processo eleitoral está sob constante assédio, demandando dos tribunais uma vigilância exaustiva sobre cada passo, cada documento, cada intenção.
A teia de influências se estende e se ramifica, revelando a fragilidade das linhas que separam os poderes e as funções públicas. A transição de Mecias de Jesus do Senado para uma vaga no Tribunal de Contas do Estado de Roraima, liberando a cadeira para Roberta Acioly, não é apenas uma movimentação partidária; é um exemplo de como o poder se realoca dentro de círculos fechados, levantando questões sobre a independência das instituições de controle e a efetiva renovação da vida pública. A realeza social de Cristo, que exige a retidão da vida pública e a ordenação de todos os poderes ao bem comum, fica obscurecida quando tais arranjos prevalecem sobre a meritocracia e a lisura.
No Congresso, a sombra da opacidade adquire proporções ainda maiores. O levantamento da Folha de S.Paulo revela uma alarmante prevalência de votações simbólicas — 126 contra 25 nominais no Senado, 420 contra 215 na Câmara neste ano. Quando a maioria das decisões legislativas não é registrada individualmente, o parlamentar se esconde, e o eleitor, que deveria ser o último fiscal, é despojado de seu direito elementar de saber como seu representante atua. Pio XII advertiu sobre os riscos de uma “massa” desinformada em contraste com um “povo” consciente. Sem a verdade sobre a atuação parlamentar, o povo se esvazia de sua capacidade de julgar, tornando-se mera massa instrumentalizada.
A dependência de Brasília para resolver problemas locais cruciais, como a tarifa de energia em Roraima, evidencia um desafio à subsidiariedade. Embora a atuação de Helena Lima na capital federal tenha sido eficaz para derrubar um reajuste de 24% para cerca de 4%, essa necessidade de articulação em esferas superiores expõe uma fragilidade na autonomia local e na capacidade dos entes federativos menores de salvaguardar os interesses de sua população. O princípio social-cristão da subsidiariedade nos lembra que o que pode ser realizado por uma instância menor não deve ser avocado por uma maior, sob pena de esvaziamento da governança local e da responsabilidade.
E como coroamento dessa política que se faz nos bastidores, a notícia da “reviravolta no Podemos” baseada numa “fonte da Parabólica” traduz a política em mero burburinho, em especulação de mercado. A gravidade dos desafios que Roraima enfrenta e o peso das decisões no Congresso não podem ser reduzidos a um jogo de azar ou a um enredo de novela. A política, em sua essência, é a arte de buscar o bem comum pela justiça e pela veracidade, e não um palco para a encenação de dramas forjados ou para a negociação de favores ocultos.
É imperativo que a luz da verdade incida sobre cada gesto público. O processo democrático não é um labirinto para os iniciados, mas uma via clara para a participação de todos, assentada na honestidade e na responsabilidade. A justiça exige que os acordos sejam transparentes, que as candidaturas sejam inequívocas e que o voto tenha seu valor resguardado pela clareza dos atos dos eleitos. Uma nação digna de seu nome edifica sua casa política com a pedra da verdade, e não com as frágeis promessas de quem prefere agir nas sombras.
Fonte original: Folha de Boa Vista: Not�cias, Imagens, V�deos e Entrevistas
⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.
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