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São Paulo: Chapa do Senado Põe Ética e Idoneidade à Prova

Chapa do Senado em SP inclui suplente controverso. Analisamos como a conveniência política arrisca a idoneidade do cargo e a confiança nas instituições paulistas.

🟢 Análise

A política, quando se desvia do serviço para o cálculo, revela suas fissuras. Em São Paulo, a chapa majoritária para o Senado, com a inclusão de um suplente envolto em controvérsias judiciais e ausente do país, é um mapa que promete atalho onde o caminho pede retidão. Não se trata apenas de uma jogada tática, mas de uma aposta arriscada que submete a dignidade do cargo público e a estabilidade institucional a uma estratégia de conveniência, ignorando a veracidade do compromisso e a laboriosidade da representação.

Os fatos são intransponíveis: o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, nomeado primeiro suplente de André do Prado, tem um histórico de mandato cassado por excesso de faltas e, desde fevereiro de 2025, reside nos Estados Unidos. Mais grave ainda, é réu em ação penal no Supremo Tribunal Federal por coação, com o risco real de inelegibilidade antes do prazo final de registro das candidaturas. A chapa, ao acolher tal figura, eleva a incerteza jurídica à categoria de plano de governo e confunde a mera possibilidade legal de se candidatar com a idoneidade moral e prática para o exercício de um mandato que exige presença, dedicação e respeito inabalável às instituições do próprio país que se busca servir. A ausência física e a negligência das responsabilidades legislativas anteriores não condizem com a virtude da laboriosidade, fundamental para quem se propõe a representar o povo.

A suposta justificativa de “unificar e energizar a base bolsonarista” e o “alinhamento em pautas prioritárias” – entre elas, a anistia – explicitam a instrumentalização do cargo. O vídeo de pré-candidatura de André do Prado, onde ele chama a prisão do ex-presidente de “injusta” e se compromete com tais pautas, faz ecoar a preocupação de que o mandato de suplente seja menos um assento para o trabalho legislativo e mais um anteparo para agendas que, embora legítimas em sua discussão, tornam-se problemáticas quando advogadas por quem deveria ser o primeiro a zelar pela independência e pela autoridade do Judiciário. A política, segundo o ensinamento do Magistério, deve ser um exercício de caridade social, pautado pela justiça, e não um espaço para contestar arbitrariamente sentenças ou para blindar figuras públicas. A veracidade não tolera a pretensão de subverter a ordem jurídica em nome de uma lealdade facciosa.

Em uma sociedade bem ordenada, o princípio que deve prevalecer é o da liberdade sob a lei, da “liberdade ordenada” de Leão XIII, onde os direitos e deveres são claros e o bem comum precede os interesses particulares. Pio XII, em sua crítica à massificação, alertava que a solidez de um povo se constrói na responsabilidade individual e coletiva, na participação consciente e no respeito às autoridades legítimas, e não na paixão volátil de uma massa que busca soluções fáceis para problemas complexos. A chapa de Tarcísio de Freitas, ao endossar tal composição, corre o risco de descreditar a política séria e de fragilizar a confiança no compromisso com a estabilidade institucional, tão necessária em São Paulo.

André do Prado, embora conhecido por sua capacidade de articulação e governabilidade na Alesp – inclusive com a oposição –, vê sua trajetória de pragmatismo posta à prova. A aliança com Eduardo Bolsonaro, criticada até por membros da própria direita, sugere uma submissão a uma agenda que pode colidir com a necessidade de um governo coeso e focado em resultados para o estado. A prioridade não deveria ser a capitalização de capital político a qualquer custo, mas a garantia de que cada membro da chapa represente, de fato, a probidade e o serviço público integral.

O eleitorado paulista merece a veracidade de um compromisso integral, a laboriosidade do serviço presente e a honradez de um mandato que edifique a República, e não que se esquive sob o manto da mera conveniência.

Fonte original: Jornal de Brasília

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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