Atualizando...

Política DF: Embate Ibaneis e Celina pelo Poder de 2026

No Distrito Federal, a disputa entre Ibaneis Rocha e Celina Leão por poder e a sucessão de 2026 ameaça a estabilidade. Análise da autonomia de governo e transparência exigida.

🟢 Análise

A edificação de uma cidade justa não se faz com areia movediça de promessas eleitorais, mas com o granito de princípios sólidos e a argamassa de uma liderança íntegra. No Distrito Federal, o que se apresenta como um mero “realinhamento de posições” entre o ex-governador Ibaneis Rocha e a atual governadora Celina Leão assemelha-se mais a um embate estrutural, onde a arquitetura do poder público ameaça ceder sob o peso das ambições de 2026. Se a política é a arte do possível, também deve ser a ciência do devido, e o devido, aqui, é a estabilidade para o povo, não o palco para a contenda partidária.

De um lado, Ibaneis Rocha, com a cúpula do MDB a tiracolo, fala em “continuidade” de sua gestão iniciada em 2019 e em “muitas decepções” com os rumos de sua sucessora, que para ele, estaria ignorando um “pacto” implícito. Para o MDB, não há hipótese de não figurar na chapa majoritária, um desejo que precede e condiciona o futuro do governo em curso. Do outro, Celina Leão, com a caneta na mão e a governança nas costas, responde com a franqueza de quem se libertou de tutelas: “Sucessão nunca será submissão.” Ela, que herdou o cargo e afirma ter recebido uma “grave crise no BRB” e um “rombo bilionário”, defende um “novo governo, com personalidade, transparência e espírito público”.

A tensão não reside apenas na disputa por cargos vindouros, mas na própria compreensão da natureza do poder e da lealdade. A “continuidade” desejada por um ex-governador, por mais meritório que tenha sido seu mandato, não pode anular a legitimidade e a autonomia de quem agora ocupa a cadeira. O cargo de chefe do executivo, pela ordem dos bens, deve servir à comunidade política, e não ser mero prolongamento da vontade de um padrinho. A responsabilidade institucional, que recai sobre o governante em exercício, exige liberdade para discernir e agir conforme as necessidades presentes, sem que um “pacto de continuidade” se transforme em camisa de força. A lealdade, como bem apontou a governadora, consiste em não contrariar princípios e não abandonar a população, o que pressupõe uma fidelidade primária ao cargo e ao bem dos governados, e não a uma conveniência partidária ou pessoal.

Quando o cenário político é preenchido com acusações de “desastre” de gestões passadas ou com a denúncia de “rombo bilionário” na gestão anterior, a exigência de veracidade se impõe como um pilar da justiça social. Tais alegações não podem ser lançadas como meros petardos retóricos em meio a uma disputa eleitoral. São temas que demandam transparência cabal, auditorias e, se comprovados, responsabilização exemplar, pois afetam diretamente a vida dos cidadãos e a saúde financeira da cidade. A instrumentalização de problemas reais para ganhos políticos imediatos avilta a própria ideia de serviço público e confunde a busca pela verdade com a busca por poder.

As preocupações legítimas do povo do Distrito Federal não são com as “decepções” de Ibaneis ou com a “personalidade” de Celina, mas com a governabilidade, com a resolução dos problemas cotidianos e com a transparência da gestão. A fragmentação da base aliada e a intensa disputa eleitoral que se anuncia podem desviar o foco da administração pública, tornando a cidade refém de movimentos de tabuleiro antes do tempo. Pio XII nos alertava sobre o risco de transformar o “povo” em “massa”, manipulada por interesses particularistas. Aqui, o perigo é que a complexa gestão de uma capital seja reduzida a um jogo de xadrez onde os peões são os serviços essenciais e a rainha é a ambição eleitoral.

O verdadeiro estadista, e a verdadeira estadista, não são aqueles que tentam controlar o futuro político de seus sucessores, mas os que constroem as bases para que a cidade prospere, independentemente de quem ocupe o poder. A justiça exige que os interesses da comunidade política prevaleçam sobre as querelas de clã ou as conveniências de campanha. Um governo com “personalidade” não significa um governo errático, mas um governo com identidade e compromisso inegociável com a ordem justa. Que os preparativos para as próximas eleições não devorem o presente, mas o inspirem a um exercício de poder mais íntegro e mais dedicado ao destino comum.

Fonte original: Correio Braziliense

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

Artigos Relacionados