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PCO e Rui Costa Pimenta: A Contradição da Revolução na Urna

PCO e Rui Costa Pimenta disputam a presidência criticando a democracia. O paradoxo da revolução pela urna e riscos de milícias populares e relativismo moral são foco da análise.

🟢 Análise

O lançamento da pré-candidatura de Rui Costa Pimenta pelo PCO, à sua quinta corrida presidencial, não é tanto um balão de ensaio eleitoral quanto um paradoxo ambulante na paisagem política brasileira. Enquanto acusa o sistema democrático de ser uma camisa de força “engessada” e incapaz de mudanças reais, e acena com a bandeira da revolução proletária, o partido se submete ao rito eleitoral, ainda que apenas para, segundo sua própria lógica, “marcar uma divergência estratégica”. É como um arquiteto que denuncia as fundações de um prédio como podres e, ao mesmo tempo, insiste em disputar a cor do próximo tijolo. A cena, por si, já diz muito sobre a esquizofrenia de certa esquerda nacional.

Não se pode, contudo, desconsiderar as preocupações que ecoam no discurso do PCO, por mais que suas respostas sejam descaminhos. A perda de soberania econômica, a desindustrialização e a estagnação salarial são males reais que corroem a vida digna de muitos brasileiros. Há, de fato, um sistema financeiro global que, por vezes, opera alheio ao bem das nações, e uma burocracia estatal que engessa a ação política. Leão XIII já advertia, em sua Rerum Novarum, sobre a propriedade que, perdendo sua função social, torna-se um instrumento de opressão. Pio XI, na Quadragesimo Anno, clamava por uma justiça social que não se resolvesse em estatismo, mas na subsidiariedade, fortalecendo os corpos intermediários da sociedade. O problema, portanto, não é a denúncia dos males, mas a receita oferecida para a cura.

É nesse ponto que a “revolução proletária” se revela uma ficção perigosa. O PCO, com sua quase nula representatividade eleitoral – um único vereador eleito em quase trinta anos de existência –, propõe “unificar a esquerda” ao mesmo tempo em que rechaça os partidos de maior base e as ONGs como “desviantes”. Mais grave, sua defesa de uma “guarda popular” ou “milícia popular” para a segurança pública é um atentado direto à ordem. O monopólio da força legítima pelo Estado não é um capricho, mas um alicerce da paz social. Transferi-lo para grupos armados, “organizados nos bairros”, é flertar com a barbárie, abrindo as portas para o domínio de milícias incontroláveis e a dissolução da própria ideia de povo, transformando-o em massa desordenada e instrumentalizável, como bem notava Pio XII. A segurança não se constrói na anarquia, mas na justiça e na autoridade reta que protege os cidadãos, não os arma uns contra os outros.

A insistência em ver um “processo ilegal” no 8 de Janeiro, ou em rebaixar o episódio a uma “ficção” conveniente para “medidas autoritárias”, revela uma cegueira à própria ideologia. Não se pode, sob o pretexto da crítica à “perseguição judicial”, justificar ou minimizar atos que atentam contra a ordem institucional, por mais que se critiquem eventuais excessos de autoridades – que, estes sim, devem ser retificados pela veracidade e pela lei. G.K. Chesterton, em seu modo peculiar de expor a loucura lógica das ideologias, diria que negar a realidade dos fatos, dos eventos, para encaixá-los numa narrativa pré-determinada é o ápice da insanidade moderna: é querer que o mapa determine o terreno, e não o contrário. A verdade, ainda que incômoda, é o primeiro passo para a libertação, e não um obstáculo a ser contornado.

A defesa de regimes como o do Irã ou de ofensivas militares como a russa, sob o manto de “luta contra o imperialismo”, expõe a tragédia do relativismo moral na política externa de certas correntes. A Igreja sempre ensinou que os fins não justificam os meios, e que a solidariedade entre os povos se faz no respeito à dignidade de cada nação e de seus cidadãos, não no apoio a tiranias ou agressões que violam direitos fundamentais. A busca por uma “revolução socialista” se transmuta, nesses casos, em um pragmatismo cínico que ignora a dor real de quem sofre sob esses regimes, numa clara inversão da ordem dos bens.

O PCO, em sua quinta tentativa eleitoral, caminha sobre um fio tênue: condena o sistema mas nele participa, critica os males mas propõe soluções que beiram a dissolução da ordem. É um convite à demolição que não apresenta projeto para a reconstrução, senão a utopia de um estado-total que, na história, sempre devorou seus próprios filhos. A verdadeira transformação social não brota da anarquia nem da promessa vazia de um futuro nebuloso, mas da construção paciente de alicerces justos e livres no presente, reconhecendo a complexidade do real e a dignidade inalienável de cada pessoa.

Fonte original: Tribuna do Sertão

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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