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Eleição Colômbia: Polarização Silencia o Debate Essencial

Eleição na Colômbia: A polarização eleitoral distorce o debate real, transformando-o em juízo maniqueísta. O artigo clama por veracidade, justiça e um foco em fatos concretos.

🟢 Análise

A Colômbia, mais uma vez, se encontra à beira de um processo eleitoral que, pelo clamor das vozes mais inflamadas, parece mais uma encruzilhada metafísica do que uma disputa por caminhos políticos distintos. As eleições presidenciais marcadas para este domingo, 31 de maio, são apresentadas por muitos como um embate existencial entre “avançar com democracia, desenvolvimento e paz” ou “retroceder ao fascismo e à vingança sangrenta”. Esta retórica, que reduz a complexa vida de uma nação a um mero juízo maniqueísta, é, antes de tudo, um véu que obscurece a realidade e impede o discernimento.

É fato que o governo de Gustavo Petro, e a chapa que agora busca sua continuidade, apresenta avanços concretos, como o notável aumento de 23,7% no salário-mínimo e o reconhecimento das “Mães Comunitárias” como trabalhadoras de utilidade pública, garantindo-lhes direitos e benefícios. Essas são medidas que, em princípio, respondem a uma exigência de justiça social, buscando integrar e valorizar aqueles que servem a vida comunitária, alinhando-se aos princípios do solidarismo que defendem a dignidade do trabalho e a formação de corpos intermediários fortes. No entanto, o aplauso por tais conquistas não pode silenciar a pergunta pela sua sustentabilidade fiscal e econômica a longo prazo, especialmente em um contexto de diversificação econômica e busca por menor dependência de setores como o petrolífero. A boa intenção, por si só, não garante a solidez de uma política.

A verdadeira preocupação, contudo, não reside tanto nas medidas em si, mas na forma como o debate público as engole e as regurgita em uma dicotomia ideológica. Classificar qualquer oposição como “fascista” ou “genocida”, como se faz com Álvaro Uribe, Iván Duque e até mesmo com figuras como Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia (cuja chapa inclui um vice homossexual, o que por si já contraria uma leitura simplista de “extrema-direita reacionária”), é um desrespeito à veracidade do confronto político. Tal linguagem não é a expressão de um povo soberano debatendo seu futuro, mas a instrumentalização da paixão para criar massas ideologizadas, uma distinção que Pio XII já nos alertava, temendo que o povo se transformasse em mera massa suscetível a manipulações.

A política, em sua essência, deveria ser o campo onde o juízo reto busca o que é melhor para a cidade, ponderando bens, custos e consequências. Quando a divergência de opiniões é taxada de mal absoluto, e a busca por alternativas é demonizada como um retorno à barbárie, a democracia não se fortalece, mas se esvazia de sentido. A insistência em termos tão carregados como “guerra cultural” ou a ameaça de “intervenção dos Estados Unidos” (sem base factual concreta evidente na tese) servem muitas vezes para galvanizar o apoio em vez de promover uma reflexão lúcida sobre os desafios geopolíticos. Chesterton, com sua perspicácia, diria que é a sanidade que nos permite ver a loucura lógica das ideologias que, em seu afã de pureza, se tornam caricaturas do que dizem defender.

A Colômbia merece um debate que transcenda a cortina de fumaça da polarização. Precisa-se de humildade para reconhecer que não há um único caminho reto para a justiça social ou para a paz, e que diferentes visões podem articular preocupações legítimas sobre a segurança, a economia ou a condução das políticas públicas. A tarefa não é escolher entre a luz e as trevas absolutas, mas construir uma ordem justa sobre os fatos, sobre as necessidades reais do cidadão e sobre um projeto que inclua, de fato, a pluralidade da nação, sem apagar as diferenças em nome de uma falsa unanimidade ideológica.

A verdadeira consolidação de um projeto de desenvolvimento e paz exige que a política seja um exercício de veracidade e justiça, onde as promessas sejam acompanhadas de planos fiscais transparentes e onde os adversários sejam tratados com a dignidade que lhes é devida. Não se edifica uma nação sólida sobre os escombros da razão.

Fonte original: Hora do Povo

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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