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Requião Filho: Inconstância Partidária e Acusações Infundadas

Pré-candidato Requião Filho no Paraná: inconstância partidária e acusações sem provas. O artigo critica a fragilidade ética e o impacto dessa retórica na confiança pública na política e na justiça.

🟢 Análise

Quando um agricultor planta, espera a colheita no mesmo solo. Não muda a semente de campo a cada estação, nem acusa a terra de má-fé por não lhe dar os frutos que seu desejo inventa. Na política, contudo, há quem troque de lavoura com a facilidade com que se vira a página de um calendário, sempre jurando fidelidade ao princípio, mas apenas àquele que lhe convém no momento. A trajetória de um pré-candidato ao governo do Paraná serve de espelho a esta incoerência, onde a afirmação de inabalável convicção choca-se com uma série de realinhamentos partidários.

Requião Filho, hoje no PDT, apresenta-se como um político de raízes profundas e de conduta linear, sem as curvas erráticas de uma biruta de aeroporto. Ele invoca a herança do pai no MDB para justificar sua “criação” política, mas logo alega que o partido tomou um rumo “inaceitável” para seus princípios, especialmente em temas como privatização. Depois, foi eleito deputado estadual pelo PT, de onde também saiu, segundo ele, por “erros graves do Governo Federal” e falta de apoio ao Paraná. Essa sucessão de rupturas, embora apresentada como gestos de integridade, levanta uma pergunta incômoda: será que a lealdade reside mais na conveniência da bandeira do momento do que na edificação paciente de uma casa política?

A Doutrina Social da Igreja, particularmente nas lições de Pio XII sobre a ordem moral pública, insiste na responsabilidade da comunicação e na primazia da veracidade na vida política. A mera troca de sigla, por si só, não é um pecado capital; é a justificação pueril ou instrumental dela que corrói a confiança. O que preocupa, entretanto, não é apenas o trânsito partidário, mas a gravidade das acusações que o pré-candidato lança sobre figuras como Sergio Moro e a operação Lava-Jato. Alegações de “ocultação de provas para o Grupo A”, “condenação sem provas para o Grupo B”, “extorsão” e “gravações ilícitas” são mais do que retórica de campanha; são ataques diretos à integridade do sistema de justiça, feitos, segundo a própria matéria factual, sem verificação ou contraponto imediato.

A luta contra a corrupção, diz o pré-candidato, é uma “exigência mínima”. Querer ser governador e ser contra a corrupção é como “querer correr e saber andar primeiro”. Há nisso uma sanidade elementar que Chesterton aplaudiria: o bom senso que se escandaliza com o óbvio. Mas o óbvio não é virtude, é condição. O desafio não está em proclamar o que todo homem de bem já sabe ser seu dever, mas em vivê-lo com coerência e rigor, mesmo quando a maré política muda. Quando se acusa publicamente sem provas robustas, o que se está a fazer é minar a fé pública na justiça, um pilar essencial para o bem da cidade.

A política, para ser virtuosa, exige mais do que uma astúcia em manobras ou uma destreza em desqualificar o adversário. Ela demanda honestidade intelectual para reconhecer os próprios limites e justiça para não imputar culpas indiscriminadamente. O eleitor não busca um salvador auto-proclamado, mas um servidor enraizado em princípios sólidos, cujas ações sejam a prova de suas palavras. A inconstância partidária e a virulência infundada não são sinais de um caráter firme, mas de uma busca errante por palco, que desvia a atenção da verdadeira vocação do político: o serviço.

A verdadeira solidez de um líder não se prova na facilidade com que abandona velhos lares partidários nem na veemência com que acusa adversários. Revela-se, antes, na capacidade de edificar sobre a rocha da verdade e da justiça, de fincar raízes profundas no solo dos princípios permanentes e de colher, não para si, mas para o bem da cidade, os frutos da honestidade e da constância. Só assim a política deixa de ser um espetáculo errante e se torna o serviço enraizado que dignifica a pátria.

Fonte original: Vvale

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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