Atualizando...

PCC/CV Terror: EUA e Senador Minam Soberania Brasileira

A classificação unilateral de PCC e CV como terroristas pelos EUA, somada à ação de senador brasileiro, esvazia a autoridade nacional. Análise da soberania e combate ao crime.

🟢 Análise

A bandeira de uma nação tremula no mastro não apenas como um tecido ao vento, mas como o símbolo visível de uma soberania que, em sua essência, significa a autodeterminação de um povo sobre seu destino e seu território. Quando esse pavilhão é desrespeitado, seja por força externa ou por complacência interna, a própria dignidade do corpo político é posta em questão. É o que se observa na decisão unilateral do governo americano de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, acompanhada de um canal paralelo de comunicação entre um senador brasileiro e a cúpula da Casa Branca, alheio ao governo legitimamente eleito no Brasil.

O que se apresenta como um reforço na luta contra o crime transnacional é, na verdade, um preocupante esvaziamento da autoridade nacional. A Doutrina Social da Igreja, desde Leão XIII, tem defendido a prioridade da família e dos corpos intermediários como sociedades primeiras, mas também a necessidade de um Estado forte e justo que as proteja. Pio XI, em sua crítica à estatolatria, alertou para os perigos de um Estado que se excede, mas também nos lembrou da importância da subsidiariedade: os problemas devem ser resolvidos pelas instâncias mais próximas e competentes. Delegar a segurança interna de um país a uma potência estrangeira, sem o devido processo diplomático e o consentimento explícito, não fortalece a subsidiariedade; antes, a nega, minando as próprias bases do Estado.

A classificação de “terrorismo”, por sua vez, exige uma distinção crucial. Se as atividades do PCC e do CV são brutais e desumanas, a etiqueta de “terrorista” pressupõe um componente político que a própria fonte dos fatos questiona. Essa relativização conceitual, que Chesterton talvez apontaria como a loucura lógica de ideologias pragmáticas, serve para justificar ações mais amplas e invasivas, como a intervenção de agências de inteligência em território estrangeiro. A veracidade dos termos não é um mero academicismo; é a base para a justiça nas ações e para o respeito à soberania alheia. Aceitar uma definição imposta é aceitar as consequências que dela advêm, sem controle ou escrutínio.

O cenário torna-se ainda mais delicado com a atuação de atores políticos internos que, ao invés de fortalecerem as instituições brasileiras, parecem instrumentalizar a tensão para ganhos políticos. Um senador, por mais legítima que seja sua preocupação com o crime, não detém a prerrogativa de conduzir a política externa do país ou de convidar intervenções militares em seu solo. Tal atitude não demonstra fortaleza, mas uma irresponsabilidade que fragiliza o Estado e expõe a nação a riscos de desestabilização e ingerência. A verdadeira luta contra o crime organizado, com a honestidade e a laboriosidade que se exige, deve partir de dentro, com a força da lei, da inteligência e da cooperação internacional pautada pelo respeito mútuo.

O Brasil não é uma terra de ninguém onde potências estrangeiras podem agir à revelia de sua legislação e de seu governo. Possui instituições, Forças Armadas e agências de inteligência que, com os devidos recursos e a devida vontade política, são capazes de combater o crime organizado. O caminho para desmantelar essas facções passa pela justiça na aplicação da lei, pela inteligência estratégica e pela cooperação internacional formalizada, que respeite a integridade e a autonomia de cada nação.

A dignidade da nação, como a integridade de um tecido, não se remenda com retalhos estrangeiros, mas se tece com a fibra forte de sua própria lei e de sua própria vontade.

Fonte original: Correio Braziliense

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

Artigos Relacionados