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Eleições Colômbia: Além da Polarização Ideológica, Justiça Social

As eleições na Colômbia expõem polarização ideológica. Este artigo critica soluções simplistas para a segurança e a 'Paz Total', buscando justiça social e subsidiariedade na política.

🟢 Análise

As eleições colombianas se apresentam como um acerto de contas, um veredito sumário sobre o rumo político do país. De um lado, o clamor pela continuidade de um projeto de esquerda, personificado em Iván Cepeda; de outro, a promessa de um retorno à ordem e à firmeza, talvez com mão de ferro, ecoada por Abelardo de la Espriella e Paloma Valencia. Contudo, essa narrativa binária, tão sedutora quanto enganosa, esconde as fissuras profundas no solo da Colômbia e a necessidade de um juízo mais substancioso do que o mero balanço ideológico.

Não há como negar a gravidade do cenário: a segurança pública, com a expansão de grupos armados e a percepção de ineficácia da política de “Paz Total” do atual governo Petro, é uma preocupação legítima e urgente. Comunidades rurais e indígenas, o setor produtivo e os trabalhadores são diretamente afetados por uma violência que não cede e por uma incerteza econômica que trava o futuro. Mas a resposta a tal crise não pode se resumir à escolha entre a utopia da negociação irrestrita e o autoritarismo de uma “mão dura” que, não raro, agrava feridas em vez de curá-las. A sedução de soluções rápidas e punitivas, como o “modelo Bukele”, ignora a complexidade histórica e institucional colombiana, arriscando trocar um problema por outro ainda maior: a instrumentalização da segurança para a restrição de liberdades civis e a legitimação de ciclos de violência estatal.

Aqui, o discernimento exige mais do que promessas eleitorais. A Doutrina Social da Igreja, particularmente nas lições de Pio XI sobre a subsidiariedade e a justiça social, nos alerta para o perigo da estatolatria, da pretensão de que apenas o Estado centralizado pode resolver todos os males. As propostas de Cepeda, que defendem maior intervenção estatal e ampliação do gasto social, precisam ser sopesadas quanto à sua sustentabilidade fiscal e à sua capacidade real de gerar desenvolvimento e não apenas dependência. Da mesma forma, as ideias de desregulação econômica e redução de impostos, de Abelardo de la Espriella, embora atraentes para o setor produtivo, devem demonstrar como protegerão e investirão nas áreas rurais e nos programas sociais cruciais para a estabilidade. A verdadeira justiça reside na ordenação reta dos bens e na promoção de uma propriedade com função social, um salário justo e corpos intermediários fortes, capazes de edificar a sociedade de baixo para cima, não de cima para baixo.

O erro não está em buscar a paz ou a segurança, mas na humildade de reconhecer que nenhuma delas advém de uma mera fórmula ideológica. A “Paz Total” não pode ser uma capitulação disfarçada nem uma carta branca para grupos armados. O Estado tem o dever irrenunciável de garantir a ordem e a segurança dos seus cidadãos, mesmo que isso exija fortaleza para o uso legítimo da força, sempre sob o primado da lei e da dignidade humana. Mas também não se pode cair na loucura lógica das ideologias que, prometendo sanar tudo com uma canetada ou um decreto, ignoram as raízes profundas da violência – a desigualdade agrária, a pobreza, a ausência estatal em vastas regiões – que exigem soluções de longo prazo, como o fortalecimento de conselhos escola-família-comunidade e a promoção de institutos de virtude para uma reconstrução moral e cultural genuína.

A polarização, mais do que um reflexo autêntico da sociedade colombiana, é muitas vezes amplificada por discursos que demonizam o adversário e esvaziam o debate de seu conteúdo substantivo. Como já alertava Chesterton em seus paradoxos, a sanidade está na recusa de aderir à loucura lógica das ideologias que prometem o paraíso na terra por vias que invariavelmente levam à tirania ou ao caos. A justiça em uma nação ferida como a Colômbia exige que os líderes eleitos busquem mais do que a vitória pírrica de um pleito; exige a capacidade de construir consensos e unir um povo, não fragmentá-lo em massa amorfa e combativa.

Esta eleição colombiana, portanto, não é apenas um referendo sobre o passado ou uma aposta no futuro, mas um convite a julgar as próprias fundações da república. Os colombianos não escolhem um rótulo ideológico, mas a arquitetura social que desejam edificar. O voto, afinal, é um ato de fundação. E em um terreno tão fértil quanto conturbado como o colombiano, só a justiça enraizada na humildade de reconhecer o limite humano e a primazia do bem perene pode sustentar uma colheita de paz duradoura. Os frutos da ordem não nascem de soluções mágicas, mas de um trabalho contínuo de semeadura na terra real dos homens, não na utopia das abstrações ideológicas.

Fonte original: Correio Braziliense

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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