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Colômbia: Voto é Segurança e Pão, Não Ideologia ou Paz Retórica

Nas eleições colombianas, cidadãos votam por segurança e pão, não por ideologias. O artigo critica a polarização que ignora a violência persistente e a demanda por paz real. Análise.

🟢 Análise

A Colômbia se prepara para um plebiscito, anunciam os comentaristas. Mas o que se vota, de fato, é o pão e a segurança, não apenas a continuidade de um campo ideológico. No burburinho das urnas colombianas, onde mais de 41 milhões de cidadãos são chamados a escolher seu próximo presidente, desenrola-se uma batalha que transcende a polarização entre “progressismo” e “ultradireita”. Os factos mostram que a segurança pública é um tema central, e a persistência de grupos armados, narcotráfico e criminalidade, mesmo após um acordo de paz em 2016 e a busca por uma “paz total” do governo atual, lança uma sombra de ceticismo sobre as promessas.

De um lado, a narrativa insiste em enquadrar a disputa como um duelo entre o “progresso” e um “risco à democracia”, uma espécie de plebiscito sobre o futuro da esquerda. Contudo, essa lente ideológica estreita esconde uma verdade mais crua e palpável para o cidadão comum: a vida na Colômbia ainda é marcada por uma violência insistente e uma insegurança que corrói os alicerces da vida cotidiana. As dificuldades na reinserção social de ex-combatentes e o descumprimento das contrapartidas do Estado no acordo de paz de 2016 não são meros detalhes, mas feridas abertas que minam a confiança em novas abordagens meramente retóricas. A legítima preocupação com a ordem e a proteção diante de uma criminalidade rampante não pode ser sumariamente descartada como um “retrocesso”.

A segurança do povo, garantia da liberdade ordenada e da própria vida comum, não é um luxo político, mas um dever primário do Estado e uma exigência da lei natural. Pio XII nos alertava sobre o risco de transformar o “povo” em “massa” – uma entidade amorfa, manipulada por slogans e desprovida de discernimento. Quando as preocupações por justiça e ordem pública são desqualificadas como “retrocesso” ou “risco democrático” apenas por não se alinharem a um projeto partidário, o que se faz é precisamente o oposto da dignidade que se pretende defender: nega-se ao cidadão o direito de julgar a realidade por seus próprios termos e de buscar soluções tangíveis. A virtude da veracidade exige que se reconheça a fonte real da insatisfação, e a justiça demanda que o Estado cumpra sua função essencial de proteger.

Aqui reside o paradoxo, tão caro à inteligência de Chesterton: a sanidade está em reconhecer o óbvio. Se a rua não é segura, se o pão escasseia, se a lei não alcança os criminosos, é natural que o povo procure uma mudança, por mais radical que ela pareça aos ideólogos. A verdadeira loucura é insistir que a resposta para um problema real é mais da mesma retórica, enquanto o clamor por ordem e segurança é tratado como mero sintoma de má-fé ou ignorância. O eleitor, em sua sabedoria muitas vezes tácita, busca a verdade na experiência vivida, e não na promessa distante.

A “paz total” não pode ser apenas um rótulo bem-intencionado; precisa ser uma realidade concreta, edificada sobre a capacidade do Estado de garantir o monopólio legítimo da força e de proteger os mais vulneráveis. Desconsiderar as falhas na contenção de dissidentes, paramilitares e narcotraficantes é fechar os olhos à matéria-prima da insegurança que alimenta o descontentamento popular. A retórica da “mão dura” ou da “direita agressiva”, por mais que desagrade a certos setores, nasce muitas vezes de um anseio primal por proteção e por uma justiça que se perceba ativa e presente. O que se espera do governo, em última instância, é laboriosidade na construção de soluções perenes e não apenas a manutenção de uma identidade ideológica.

O papel da democracia não é referendar uma única visão de mundo, mas permitir a alternância de poder e a livre manifestação da vontade popular, mesmo quando esta escolhe caminhos que desagradam à intelectualidade reinante. A eleição colombiana, portanto, é menos um plebiscito ideológico e mais um juízo popular sobre a eficácia da governança. O eleitor não busca um rótulo, mas uma solução para o dilema de viver entre a promessa da paz e a realidade da violência.

A Colômbia, como tantas nações em sua encruzilhada, anseia por uma paz que se assente em alicerces sólidos de justiça e segurança, e não nas nuvens vaporosas das utopias ideológicas.

Fonte original: CartaCapital

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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