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PL em MG: Pragmatismo vs. Princípios com Cleitinho Azevedo

O PL abraça Cleitinho Azevedo em MG, priorizando viabilidade eleitoral. Analisamos como essa guinada desafia princípios partidários, a honestidade política e a justiça interna da sigla.

🟢 Análise

Um partido político é, em sua essência, uma associação de homens e mulheres que, unidos por certos princípios, buscam o bem comum pela via da representação. Mas o que acontece quando os princípios se tornam um figurino mutável, adaptado ao palco e à plateia do momento? É a pergunta que se impõe diante da recente manobra do PL em Minas Gerais, ao apostar no senador Cleitinho Azevedo para a corrida ao governo estadual. A decisão, que abandona articulações com o vice-governador Mateus Simões, sinaliza uma guinada estratégica que merece escrutínio.

Cleitinho, figura popular e com retórica que apela diretamente ao “povo”, traz consigo um histórico de apoio a pautas que, à primeira vista, destoam da identidade “antipetista” que o PL, sob a influência de Jair Bolsonaro, buscou consolidar. Defender o fim da escala 6×1, apoiar programas sociais do governo Lula como o “Gás do Povo”, e encampar a anistia para os atos de 8 de janeiro — um pacote que o próprio partido vê com nuances — coloca a legenda em uma posição curiosa. O presidente estadual do PL, Zé Vitor, minimiza as divergências, afirmando que “não vamos pôr freio em ninguém” e que Cleitinho não defende pautas ideológicas do governo federal, mas “caminha com a gente”. Essa elasticidade, porém, já levanta sobrancelhas.

A objeção imediata dos críticos, e não sem mérito, é a de que tal movimento se configura como puro pragmatismo estratégico. O PL, ao abraçar um candidato com alta popularidade e apelo transversal, busca expandir sua base eleitoral em um estado chave como Minas. A vitória eleitoral, argumentam, exige flexibilidade e a capacidade de construir coalizões amplas, e Cleitinho representaria essa ponte entre o eleitorado mais ideologizado do bolsonarismo e segmentos sensíveis a pautas sociais. Seria, portanto, inteligência política para alcançar o poder e, a partir dele, implementar uma agenda.

No entanto, a inteligência política, para ser reta, não pode prescindir da virtude da honestidade nem da justiça. Quando um partido, que se pretende um baluarte de valores e princípios, se mostra tão maleável em sua identidade, há um custo para a verdade na vida pública. A mesma direção estadual do PL que decide “não pôr freio” em Cleitinho, em nome de uma suposta transversalidade, pede a expulsão do prefeito Inácio Franco por declarar apoio à pré-candidata petista Marília Campos. Essa dupla régua de conduta – a intransigência para os menores e a tolerância para os estratégicos – corrói a justiça interna e a credibilidade do partido como associação de princípios. É um convite à confusão para o eleitorado, que vê uma sigla com um discurso público rigoroso aplicar uma “moral partidária” convenientemente elástica.

A prioridade da viabilidade eleitoral sobre a coerência programática e a integridade institucional do partido não é um ganho, mas uma perda no longo prazo. São Tomás de Aquino nos ensina que toda ação deve ser ordenada a um fim bom, e a política, como arte de governar para o bem comum, exige que os meios sejam igualmente retos. A estratégia que privilegia o carisma individual sobre um programa de governo detalhado e a identidade partidária fragiliza o próprio tecido da representação política. Partidos políticos, como corpos intermediários, são vitais para a saúde da democracia e para a formação da vontade popular, mas só o são na medida em que oferecem uma proposta clara e um compromisso transparente com seus valores. Caso contrário, reduzem-se a meros comitês eleitorais.

A história do PL, com sua guinada ideológica em 2021 após ter integrado a coalizão de Lula em 2002, já ilustra uma capacidade de redefinição notável. Mas a busca incessante por poder, quando destituída de uma espinha dorsal de princípios permanentes, transforma a política em um jogo de espelhos e fachadas. A lealdade do eleitor, tal qual a confiança cívica, não se edifica sobre terreno movediço de compromissos fluidos, mas sobre a firmeza de uma identidade que, professada com honestidade, se traduza em justiça para todos.

Fonte original: Jornal Estado de Minas | Not�cias Online

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