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Política MG 2026: Veracidade e Jogo Tático na Corrida Eleitoral

Política em Minas Gerais, pré-2026: confronta retórica e ação. Analisamos táticas que instrumentalizam a lei e o legislativo. Defesa da veracidade e integridade pública.

🟢 Análise

A política, arte do possível e ciência do bem da cidade, tem se transformado, por vezes, em um palco de sombras, onde a retórica assume o protagonismo e a verdade, um papel secundário. Em Minas Gerais, nas prévias para 2026, a discussão em torno das candidaturas e do desempenho do governo atual não escapa a essa lógica, revelando a tensão entre o que se diz e o que se faz, entre a promessa e a entrega. É preciso discernir, com clareza tomista, o que é crítica legítima e o que é mera tática de exposição, sob pena de ver a vida pública degenerar em mero espetáculo.

Há, sem dúvida, preocupações reais e justas a serem endereçadas, como a defasagem salarial das forças de segurança pública, que amargam quase metade de seus ganhos corroídos pela inflação, e a complexa gestão da dívida do estado. A reivindicação por mais resultados e menos “marketing” por parte da administração é um anseio legítimo do contribuinte que paga seus impostos e espera um serviço público eficiente. Nestes pontos, a voz que denuncia as inações do Executivo ecoa uma demanda por justiça, um dever primário de qualquer governo. Quando as promessas eleitorais se mostram vazias diante da caneta, como no caso do modelo cívico-militar com apenas dois militares onde o padrão exige oito, a denúncia da “ludibriação da população” adquire peso moral.

Contudo, a busca pela veracidade na vida pública exige mais do que a mera denúncia do adversário. O deputado Cristiano Caporezzo, ao mesmo tempo em que aponta a inconstitucionalidade e o caráter eleitoreiro de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 40) sobre recomposição inflacionária, declara que votará favoravelmente a ela. Tal postura, ainda que justificada como estratégia para “expor o governador”, instrumentaliza o processo legislativo. Não se pode, em sã consciência, advogar a defesa da legalidade e, no mesmo fôlego, subverter a dignidade da lei para um fim meramente tático. O Legislativo, Casa do Povo, não pode se tornar um balcão de jogos de cena.

A Doutrina Social da Igreja, desde Pio XII, adverte sobre a distinção entre “povo” e “massa”. O povo, enquanto comunidade organizada, busca o bem comum com razão e deliberação. A massa, ao contrário, é manipulável pela emoção e pela retórica vazia, terreno fértil para a demagogia. Quando um legislador vota em um projeto que considera inconstitucional apenas para ganhar um ponto político, ele trata o eleitorado como massa, desconsiderando a capacidade de discernimento do povo e a autoridade da lei. É a sanidade contra a loucura lógica das ideologias que Chesterton tantas vezes denunciou: a ideia de que o mal menor justifique um mal em si, ou que a verdade possa ser negociada em nome da estratégia.

A grandeza de alma, a magnanimidade, é uma virtude que impulsiona o homem público a transcender a mesquinhez da contenda eleitoral e a buscar soluções concretas para os problemas do Estado. A defesa dos valores de “Deus, pátria, família e liberdade” perde sua força intrínseca quando não se traduz em ações coerentes e na promoção de uma ordem justa. A lealdade partidária, embora importante para a coesão, jamais pode ser um cheque em branco para a incoerência moral ou para a instrumentalização da coisa pública. A sugestão de nomes com experiência, como Vittorio Medioli, mostra um caminho que valoriza o conhecimento acumulado, mas a vitalidade da política também reside na capacidade de inovar e de não reduzir a experiência à mera idade.

O papel do político não é apenas o de fiscalizar, mas de propor e agir com integridade. Diante da defasagem salarial das forças de segurança, da dívida pública, e da implementação de modelos educacionais, a expectativa é que os representantes apresentem propostas viáveis e constitucionais, e não meramente discursos que, mesmo bem-intencionados, contradizem a própria ação. A nação não se constrói com discursos que se desmentem nas urnas, mas com a reta razão que eleva a ação pública para além do espetáculo, edificando a ordem justa.

Fonte original: O TEMPO

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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