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Segurança PMDF: Transparência, Justiça e o Real Comando

A troca de comando da PMDF e investimentos na segurança pública expõem a falta de transparência e meritocracia. Questões sobre justiça real e subsidiariedade desafiam o policiamento no DF.

🟢 Análise

A solenidade de troca de comando da Polícia Militar do Distrito Federal, com seus uniformes impecáveis e discursos de alto tom, é um rito necessário à ordem institucional. Mas o tecido da segurança de uma capital, especialmente uma tão politicamente carregada como Brasília, não se tece apenas com galões e palavras de ocasião. O que se celebra em um pátio militar é, muitas vezes, apenas a superfície de um trabalho complexo, cujas engrenagens internas exigem um escrutínio que vá além do louvor fácil e da narrativa oficial.

A nomeação de mais de 5 mil policiais desde 2019 e um pacote recente de 652 promoções na PMDF são, sem dúvida, sinais de investimento na corporação. Da mesma forma, a iniciativa das Salas Lilás, que se expandirá para 23 batalhões, aponta para uma preocupação específica com a violência de gênero, louvável em si. Contudo, a verdadeira justiça institucional não se mede apenas pela quantidade de efetivo ou pela velocidade das progressões de carreira, mas pela solidez dos critérios, pela manutenção da meritocracia e pela garantia de que tais ações se traduzirão em uma ordem justa e perceptível para o cidadão. A lição de Pio XI sobre a justiça social ressoa: não basta a ação em si, é preciso que ela esteja ordenada ao bem comum, evitando a estatolatria que supervaloriza o aparato em detrimento do fim último que é o povo.

A governadora Celina Leão elogiou a Coronel Ana Paula Habka por “abrir portas” para mulheres no comando, mas a motivação real da substituição, pouco mais de dois anos após sua nomeação, permanece nas sombras da formalidade. A veracidade nas razões de Estado é fundamental para a confiança pública, e a falta de transparência em decisões administrativas de tal monta pode minar a legitimidade do processo. A entrada do Coronel Rômulo Palhares, com seu notável currículo em operações especiais (Coe), levanta uma questão de prudência: como este perfil se coadunará com as necessidades de um policiamento que precisa ser, simultaneamente, ostensivo e comunitário, próximo ao povo e não apenas uma força contra a massa, como Pio XII advertiu?

A segurança pública, na Doutrina Social da Igreja, transcende a mera repressão. Ela se assenta na subsidiariedade, fortalecendo as comunidades e os corpos intermediários da sociedade civil, em vez de esmagá-los sob um aparato estatal excessivamente centralizado. Um aumento de efetivo, sem uma estratégia clara de policiamento de proximidade, de transparência curricular na formação dos agentes e de investigação profunda das causas da criminalidade, pode gerar apenas a impressão de presença, e não a real diminuição do temor e da violência. Não se trata de uma matemática simples onde mais policiais equivalem a menos crimes, mas de uma complexa arquitetura de relações sociais e preventivas.

O projeto da ordem pública exige mais do que números inflados e ritos protocolares; exige o discernimento entre o que é espetáculo e o que é política de Estado com “bens internos” definidos. É preciso que as metas não sejam apenas estatísticas de desempenho, mas que reflitam os resultados concretos da prática policial: a justiça aplicada, a confiança conquistada, a vida protegida, a liberdade ordenada garantida. A segurança de uma cidade não é um mero saldo contábil, mas o testemunho de uma convivência civilizada, onde a autoridade se exerce com firmeza e, sobretudo, com equidade.

A segurança duradoura não se impõe pelo mero acúmulo de força ou pela pirotecnia de um slogan, mas se edifica na clareza das intenções e na firmeza dos princípios, para que o uniforme da lei seja verdadeiramente o manto da justiça e da paz social para todos os cidadãos.

Fonte original: Jornal de Brasília

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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