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PCO e Rui Costa Pimenta: revolução, reestatização. DSI critica propostas que ignoram subsidiariedade, fatos e ordem social, ameaçando a justiça.

PCO e Rui Costa Pimenta: revolução, reestatização. DSI critica propostas que ignoram subsidiariedade, fatos e ordem social, ameaçando a justiça.

🟢 Análise

Quando o corpo político padece de males profundos, surgem diagnósticos radicais e propostas de cura que, muitas vezes, prometem mais a demolição do que a restauração. A pré-candidatura do Partido da Causa Operária (PCO) à presidência, encabeçada por Rui Costa Pimenta, é um desses fenômenos. Com a quinta tentativa ao Planalto e um histórico eleitoral de insignificância, o PCO anuncia a busca por uma “revolução proletária e socialista”, a reestatização de empresas e a substituição da polícia por uma “guarda popular” ou “milícia”. É um programa que se ergue sobre a promessa de um futuro utópico, mas que, na prática, desdenha os alicerces da ordem social e política mais elementar.

É preciso reconhecer que, por trás da retórica maximalista, algumas das preocupações levantadas ressoam com a legítima angústia popular. A insatisfação com um modelo econômico que parece “escravizar” o Brasil aos mecanismos do sistema financeiro mundial, a dívida pública, a estagnação industrial e a venda de ativos estratégicos, como as subsidiárias da Petrobras, são temas que demandam um debate sério e a busca por alternativas robustas. Da mesma forma, a crítica à ineficácia e à parcialidade das forças de segurança pública, que muitas vezes falham em proteger a população mais pobre, é um lamento que clama por soluções que transcendam a mera manutenção do status quo. A caridade e a justiça impõem que o Estado e a sociedade busquem meios de superar essas deficiências.

Contudo, o caminho proposto pelo PCO, de uma “revolução proletária”, não se coaduna com os princípios da Doutrina Social da Igreja. Leão XIII, em sua Rerum Novarum, ensinou a necessidade de uma liberdade ordenada e defendeu a propriedade privada com função social, distinguindo-a do puro individualismo e da estatização radical. Pio XI, em Quadragesimo Anno, alertou contra a “estatolatria” e sublinhou o princípio da subsidiariedade, pelo qual o Estado não deve assumir aquilo que pode ser realizado por corpos sociais menores e mais próximos do cidadão. A proposta de cancelar privatizações e reestatizar indiscriminadamente, somada à ideia de uma “milícia popular”, demonstra uma perigosa centralização de poder e a deslegitimação de estruturas que, ainda que imperfeitas, são necessárias à coesão social. A justiça não se constrói demolindo a ordem jurídica e econômica para depois erguer uma nova estrutura sobre ruínas e voluntarismos.

A própria relação do PCO com a veracidade dos fatos é preocupante. Quando Rui Costa Pimenta afirma que o Brasil era “bem mais desenvolvido que a China 15 anos atrás”, dados históricos que mostram a superação chinesa em PIB total (até 1995) e renda per capita (até 2018) contradizem essa narrativa. Mais grave ainda é a desqualificação dos eventos de 8 de Janeiro como uma “ficção” e a avaliação de que os processos judiciais são “ilegais” e abusivos por parte do STF. Esse desprezo pela autoridade legítima das instituições democráticas, aliada ao apoio a regimes como os da Venezuela e do Irã, notoriamente autoritários e violadores de direitos humanos, revela uma grave honestidade intelectual e uma visão unilateral do que constitui a luta contra o “imperialismo”. Há uma loucura muito mais perigosa que a dos homens comuns: a loucura da lógica impecável que parte de premissas erradas, erguendo castelos no ar com a mesma precisão com que a sanidade constrói casas sólidas.

A insistência em uma doutrina ideológica que se autoproclama o único caminho para a salvação nacional, ignorando o histórico eleitoral pífio do partido — um único vereador eleito em quase 30 anos —, não é uma estratégia para o poder. É, antes, uma plataforma para o proselitismo que, ao invés de unificar a esquerda ou resolver os problemas do país, apenas acentua a fragmentação e marginaliza o debate sobre alternativas realmente viáveis. As complexidades da governança moderna e das relações internacionais exigem prudência, pragmatismo e capacidade de construir alianças, não a rejeição de todo o sistema em nome de uma pureza revolucionária.

A verdadeira justiça social e a soberania de uma nação não residem na derrubada de estruturas para a imposição de um modelo único e inflexível, mas na constante busca por um aperfeiçoamento das instituições existentes, na promoção da participação popular através de corpos intermediários e na defesa de uma economia que sirva ao homem, e não o contrário. É preciso distinguir entre o diagnóstico válido de um mal e a prescrição de um remédio que, de tão radical, mata o paciente em vez de curá-lo.

A revolução, para ser digna do homem, deve edificar com os pilares da justiça e da prudência, não com os escombros de uma esperança vazia.

Fonte original: Tribuna do Sertão

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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