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Unoesc 30 Anos: Crescimento e a Vocação Comunitária

Unoesc celebra 30 anos de expansão notável. O artigo explora a tensão entre o gigantismo e a manutenção da vocação comunitária, com base na subsidiariedade e justiça social.

🟢 Análise

A planta que cresce em demasia, sem raízes profundas que a sustentem, corre o risco de se tornar frondosa e vazia, ou de tombar ao primeiro vento mais forte. A celebração dos 30 anos de credenciamento da Unoesc pelo MEC, coroada pela distinção de melhor universidade comunitária de Santa Catarina e décima no ranking nacional, é um testemunho eloquente de expansão e reconhecimento. Com cinco unidades multicampi, presença em outros sete municípios, a gestão de um hospital universitário e uma rede de colégios, a instituição do Oeste catarinense exibe um crescimento notável que o reitor, professor Ricardo Antonio De Marco, atrela à “seriedade, compromisso com a educação e profunda responsabilidade social”. Mas é justamente nessa ponte entre o gigantismo e o compromisso primordial que reside uma delicada tensão.

É preciso perguntar: o que significa ser uma “universidade comunitária” em face de uma escala tão vasta? A doutrina social da Igreja, ao falar de subsidiariedade, nos lembra que a comunidade não é uma massa indistinta a ser servida por uma entidade superior, mas um conjunto de corpos intermediários vivos, onde a participação se dá de baixo para cima, nas instâncias mais próximas. Uma universidade que se diz comunitária não pode ser apenas uma provedora de serviços eficientes em larga escala, mas deve ser um organismo orgânico que floresce com e a partir da comunidade, integrando-a em sua governança e em sua visão estratégica. O risco, aqui, é que a busca legítima por eficiência e ranking transforme o rótulo de “comunitária” em um benefício legal, esvaziando a genuína participação e a acessibilidade, substituindo o engajamento profundo pela prestação formal.

A complexidade de gerir um hospital universitário (HUST) ou uma rede de colégios, embora possa qualificar a formação dos estudantes, também levanta a questão da justiça na alocação de recursos e na priorização de atendimento. Como garantir que esses braços da fundação sirvam primariamente à comunidade mais vulnerável, e não apenas aos interesses da própria estrutura acadêmica, sem conflitos de interesse? A expansão, que deveria ser um meio de democratizar o conhecimento, não pode inadvertidamente levar à priorização de cursos com maior retorno de mercado, relegando áreas essenciais, mas menos lucrativas, ou tornando a educação superior menos acessível financeiramente.

A perseguição de rankings e métricas quantitativas, como o IGC, embora compreensível, pode induzir a uma homogeneização curricular e a uma supervalorização do que é mensurável, em detrimento da inovação pedagógica e do impacto social que desafia as frias estatísticas. É o paradoxo do homem moderno, como diria Chesterton, que, na ânsia de medir todas as coisas, acaba por esquecer a qualidade imensurável que as torna valiosas. A veracidade da responsabilidade social de uma instituição não se comprova apenas pelo número de diplomados ou pela área física ocupada, mas pela transparência radical e pela capacidade de demonstrar, qualitativamente, como seu crescimento reverbera na restauração do tecido social e na promoção da vida comum, especialmente nas comunidades que a viram nascer.

A Unoesc, ao celebrar seu aniversário, enfrenta o nobre desafio de reafirmar a sua vocação original: ser um motor de desenvolvimento que não apenas forma profissionais, mas que edifica o povo em sua inteireza, por meio de uma educação por missão. Que sua vasta estrutura seja um arcabouço para o florescimento da vida comunitária, e não uma armadura impenetrável. Que a extensão de seus campi e a contagem de seus sucessos não ofusquem a necessidade perene de manter vivas e profundas as raízes que a conectam, com honestidade e justiça, ao solo de cada pessoa e de cada família que serve.

Fonte original: nsctotal.com.br

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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