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Reitoria Ufac: O Desafio da Unidade entre Chapas Divergentes

Eleição Ufac: Reitor e vice-reitor de chapas opostas geram desafio de governança. Josimar e Almecina precisam unir forças para garantir o florescimento da universidade, superando o partidarismo.

🟢 Análise

A eleição para a reitoria da Universidade Federal do Acre (Ufac) entregou à comunidade acadêmica um resultado que é, a um só tempo, um testemunho de superação pessoal e um desafio de governança institucional. Josimar Batista Ferreira, filho de produtor rural e beneficiário da caridade da Igreja em sua formação, ascende ao posto máximo, carregando consigo uma história que inspira. Contudo, a escolha concomitante de Almecina Balbino Ferreira, sua vice-reitora, advinda de uma chapa adversária e legitimada por um voto expressivo, planta no coração da gestão um paradoxo que exige clareza e solidez doutrinária. A democracia universitária falou, mas agora o dever impõe a pergunta: como se harmonizam mandatos distintos para o bem de um mesmo edifício?

A trajetória do professor Josimar é, por si só, um hino à oportunidade e à tenacidade. De uma infância na zona rural, sem o luxo do salário, com o pai João Paraná percorrendo quilômetros para manter o contato, até a formação com bolsa concedida por D. Moacyr Grechi — uma intervenção que ressalta a importância da caridade e dos corpos intermediários como a Igreja na promoção humana —, sua jornada é a prova de que o acesso à educação pode quebrar ciclos de pobreza. Essa história deveria ser o alicerce de uma gestão que visa expandir oportunidades reais, reafirmando que não existe universidade sem estudante e sem um olhar para a formação integral.

No entanto, a legitimidade eleitoral, por mais robusta que seja, não basta para forjar a unidade necessária à administração de um complexo como a Ufac. A estrutura de governança, com reitor e vice-reitora de chapas diferentes, cria uma tensão imanente. Não se trata de negar o pluralismo ou a beleza do debate democrático, mas de reconhecer que a universidade, como corpo social vital, não pode ser reduzida a um palco de disputa permanente. Pio XI, ao criticar a estatolatria e defender a subsidiariedade, já alertava sobre os perigos da atomização ou da instrumentalização das instituições para fins alheios à sua própria natureza e aos seus bens internos. Uma reitoria dividida pode, em tese, significar maior escrutínio e transparência, mas na prática, se não houver um comprometimento firme com a ação conjunta, pode levar à paralisia e ao esvaziamento da missão acadêmica.

A virtude cardeal que se impõe a Josimar e Almecina, neste cenário, é a Justiça na ordenação do poder e a Responsabilidade laboriosa de converter plataformas em um plano de governo coeso. A justiça, para São Tomás, é a reta ordenação de todas as coisas em relação ao seu fim. Aqui, o fim é o florescimento da Ufac em suas dimensões de ensino, pesquisa e extensão, e a formação de seus estudantes. Isso demanda que a lealdade institucional se sobreponha à lealdade de chapa. As promessas eleitorais, por mais genuínas que fossem, precisam ser decantadas na realidade concreta da gestão, onde o bem da instituição deve ditar a prioridade, não a agenda particular de cada segmento eleitoral.

O desafio de harmonizar visões potencialmente conflitantes sobre orçamento, expansão e política de pessoal não pode ser relegado ao reino da boa vontade. Exige dos eleitos uma magnanimidade que transcenda o jogo político. É preciso que se dediquem a construir pontes não só retóricas, mas operacionais, estabelecendo mecanismos de governança interna que resolvam impasses e garantam que as decisões estratégicas não sejam sabotadas por desentendimentos de cúpula. O que se espera não é uma fusão de identidades, mas uma colaboração leal em torno do núcleo irrenunciável da missão universitária.

O filho do produtor rural que um dia recebeu uma bolsa da Igreja para estudar na cidade, e agora retorna à frente daquela mesma casa, tem a chance de provar que a unidade na diversidade é possível, mas não é barata. Não se constrói um futuro para a Ufac apenas com narrativas inspiradoras ou com a simples soma de votos. Exige-se o trabalho duro de erguer um edifício que possa abrigar a todos, servir ao seu propósito e honrar a dignidade de cada pessoa — professor, técnico ou estudante. A verdadeira mudança que a Ufac precisa será a capacidade de seus líderes de colocar o bem da universidade acima de qualquer partidarismo, transformando a tensão eleitoral em fertilidade institucional.

Fonte original: O Alto Acre

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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