Prefeito Tião Bocalom aguarda uma resposta sobre o comando do PSDB até a próxima terça-feira, decisão crucial para sua candidatura ao governo após ter sido negada a legenda pelo PL. No mesmo dia 12 de março de 2026, a vice-governadora Mailza Assis (PP) deve anunciar uma aliança com o MDB, com evento marcado para as 10 horas na sede do partido. Estes movimentos ocorrem em meio a um "clima de indefinição" e um "sentimento de revolta" entre deputados federais e estaduais da base do governo, que questionam o uso da máquina pública.
Bocalom planeja sua "cartada final" para disputar o governo pelo PSDB, após a direção nacional do PL "lhe negar legenda". Caso a resposta de Aécio Neves, presidente nacional do PSDB, seja negativa, o prefeito terá que concorrer pelo AVANTE, sigla que, segundo a fonte, carece de estrutura e tempo de televisão no estado. O senador Márcio Bittar (PL) "agiu com pragmatismo" ao se aliar ao grupo do governador Gladson Cameli, "evitando com a decisão de ter a máquina do governo trabalhando contra sua reeleição." O MDB, por sua vez, aguarda a próxima terça-feira para conhecer o "teto no Fundo Eleitoral" que será destinado pela direção nacional aos candidatos a deputado federal, informação confirmada pelo presidente Vagner Sales ao BLOG. Conversas estão em andamento para que o ex-prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim, se candidate a deputado federal pelo MDB, possivelmente acompanhado do deputado Gilberto Lira (UB).
A vice-governadora Mailza Assis (PP) enfrenta um "sentimento de revolta de deputados federais e candidatos a deputado federal" devido ao "escancarado uso da máquina pública montando esquemas de aliciamento eleitoral" a favor do médico pernambucano Fábio Rueda (UB) para deputado federal. Deputados estaduais questionaram: "O que o médico Fábio Rueda tem para ter um esquema poderoso dentro do governo para alavancar a sua candidatura a deputado federal? É um mero suplente, não tem grupo político, então, que mistério há por trás de tanta regalia na máquina do governo?". Há também descontentamento pela concessão da Secretaria de Agricultura ao deputado Luiz Tchê (PDT) "de porteira fechada para caçar votos para sua reeleição", com um dos presentes a uma roda de conversas declarando: "Enquanto estávamos na Assembleia dando a cara para bater, o Tchê estava fazendo política na secretaria de Agricultura. Enquanto isso, ninguém nos deu garantia que continuaremos com os pequenos espaços no governo. Isso é deslealdade com a gente". A chapa de Mailza Assis (PP) para o governo e Jéssica Sales (MDB) como vice será a primeira composta por duas mulheres para o Palácio Rio Branco. O senador Alan Rick (Republicanos), embora liderando pesquisas, enfrenta o desafio de ter apenas o partido NOVO como aliado, caso não obtenha o comando do PSDB, contrastando com Mailza Assis (PP), que poderá ter mais de dez partidos em sua aliança, o que "impacta negativamente na candidatura de Alan ao governo, no tamanho das chapas para deputado e no tempo de televisão." O ex-governador Jorge Viana (PT) é visto com "desânimo" por lideranças aliadas para disputar o Senado, e sua desistência "vai impactar negativamente nas chapas para deputado da federação PT-PV-PCdoB", com o Superintendente do INCRA, Márcio Alécio, indicando que não seria candidato a deputado sem Viana na disputa.
Mailza Assis (PP) deverá "se debruçar de forma prioritária" sobre esses problemas internos ao assumir o governo em 4 de abril. A jornalista Silvânia Pinheiro, antes chefe de gabinete da vice-governadora Mailza Assis, "não é mais vista por lá", sem informação confirmada sobre sua saída. A secretária de Comunicação do estado, Nayara Lessa, foi avaliada profissionalmente como realizando "um bom trabalho na SECOM" e sua remoção seria "um erro" se ocorrer com a saída do governador Gladson para disputar o Senado.
A tese que descreve as intrigas e manobras políticas em torno de candidaturas e alianças partidárias, embora factual, oferece um vislumbre preocupante de como a disputa pelo poder muitas vezes se descola dos reais anseios da sociedade. O "clima de indefinição" e o "sentimento de revolta" reportados não são meros caprichos do jogo eleitoral, mas sintomas de uma crise mais profunda na governança democrática, onde a primazia do interesse público cede lugar à lógica da máquina e da perpetuação de elites. Este cenário revela assimetrias de poder estruturais que comprometem a equidade do processo e a eficácia das políticas públicas inclusivas.
A análise do "escancarado uso da máquina pública montando esquemas de aliciamento eleitoral" e a "concessão da Secretaria de Agricultura 'de porteira fechada para caçar votos'" expõem uma patologia intrínseca ao sistema político brasileiro, que o sociólogo Jessé Souza identifica como patrimonialismo. Neste arranjo, o Estado é percebido não como uma esfera autônoma de direitos coletivos, mas como um botim a ser apropriado e utilizado para fins privados ou partidários. Os recursos e a estrutura administrativa, que deveriam servir à população, tornam-se instrumentos de barganha e lealdade política, minando a confiança nas instituições e a efetividade das ações governamentais, prejudicando diretamente os estratos sociais mais vulneráveis que dependem desses serviços.
Essa dinâmica de captura do Estado para fins eleitorais é reforçada pela distribuição do Fundo Eleitoral e pela busca por tempo de televisão, elementos que, como argumentam pensadores como Daron Acemoglu ao discutir instituições extrativas, são cruciais para a manutenção de estruturas de poder que beneficiam grupos específicos em detrimento de uma competição política genuína e inclusiva. A luta por "pequenos espaços no governo" e a "deslealdade" sentida pelos deputados não são sobre divergências ideológicas ou propostas para a sociedade, mas sim sobre o acesso a um sistema de privilégios e patronage. Isso fossiliza a política, impede a renovação, marginaliza candidaturas que não dispõem desses artifícios e desvirtua o papel da representação democrática, transformando-a em mera disputa por acesso a recursos.
Para reverter esse quadro, é imperativa a democratização não apenas do acesso às candidaturas, mas dos próprios mecanismos de financiamento e formação partidária. Urge implementar maior transparência e controle social rigoroso sobre o uso da máquina pública, transformando secretarias e órgãos governamentais em espaços de formulação de políticas públicas inclusivas e não em feudos eleitorais. A ênfase deve ser na participação popular e em modelos de governança que garantam a primazia dos direitos fundamentais e da redistribuição de oportunidades, em vez da mera alternância de grupos no poder que reproduzem as mesmas lógicas de apropriação e exclusão.
O Cenário Político Atual: Entre Ambições e Desconforto
O cenário político, sempre um palco de tensões e aspirações, revela-se hoje mais uma vez como um complexo entrelaçamento de ambições e estratégias. A movimentação de lideranças em busca de legendas, alianças e tempo de televisão, descrita com riqueza de detalhes nas crônicas do dia, é um espelho das dinâmicas que historicamente movem os arranjos de poder. No entanto, por trás da aparente normalidade desse jogo, emerge um sentimento de desconforto e revolta que sinaliza algo mais profundo que a mera disputa eleitoral: a questão perene do propósito da ação política e da verdadeira natureza do serviço público.
Há, sem dúvida, uma preocupação legítima com a integridade das instituições e a equidade do processo democrático. A denúncia do uso da "máquina pública" para aliciamento eleitoral e a concessão de "porteira fechada" em secretarias ecoa uma crítica antiga e sempre pertinente sobre o patrimonialismo, que infelizmente ainda assola nossa vida pública. Quando o Estado, que deveria ser o garante da justiça e o promotor do bem comum, é percebido como um espólio a ser dividido entre grupos, a confiança dos cidadãos se esvai, e a promessa de uma governança voltada para a dignidade humana se torna vã.
A Filosofia da Política: Bem Comum e Prudência
Contudo, a compreensão desse fenômeno exige mais do que a simples condenação. Aristóteles nos ensinou que a política, em sua essência, é a arte de buscar o bem comum da pólis, e que a prudência (phrónesis) é a virtude cardeal para o homem de Estado. Não se trata de uma esperteza calculista, mas da sabedade prática que discerne o que é bom e justo para a comunidade, e os meios adequados para alcançá-lo. Quando as manobras eleitorais se sobrepõem ao serviço público, quando a busca por "pequenos espaços" anula a visão do todo, estamos diante de uma deturpação dessa prudência, que se transfigura em mera astúcia para fins particulares.
São Tomás de Aquino, ao fundamentar a lei natural, nos recorda que toda lei humana deve ser uma ordenação da razão para o bem comum. O uso de recursos públicos, a formação de alianças e até mesmo a distribuição de fundos eleitorais devem estar subordinados a este princípio maior. A máquina do Estado não é um instrumento para a perpetuação de um grupo no poder, nem para o alavancamento de candidaturas isoladas, mas um meio para efetivar a subsidiariedade e a solidariedade, garantindo que as necessidades dos mais vulneráveis sejam atendidas e que a sociedade como um todo prospere. A prioridade não pode ser o benefício individual ou partidário, mas a justiça distributiva e a dignidade de cada pessoa.
Rumo à Renovação: O Telos da Política e o Serviço Público
A verdadeira superação deste dilema não se dará apenas com reformas estruturais ou maior transparência – embora sejam necessárias –, mas com uma renovação moral e intelectual da classe política e da própria cidadania. Como notou Edmund Burke, as instituições são importantes, mas o caráter e a virtude dos homens que as ocupam são decisivos. O convite é a que os atores políticos redescobram o telos da política: a vocação de servir. Isso significa entender que o poder é uma responsabilidade, não um privilégio; que a liderança exige sacrifício, não apenas ganhos.
Assim, a elevação do debate não reside em apontar culpados ou em lamentar o sistema, mas em resgatar o sentido ético da política. É preciso que as alianças e as candidaturas sejam forjadas não apenas pelo cálculo eleitoral, mas por uma visão genuína do futuro que se almeja para a comunidade. É um chamado à prudência virtuosa, que integra a sagacidade tática com a retidão moral, e à solidariedade, que nos lembra que somos corresponsáveis pelo destino de todos. Somente quando a ação política estiver novamente enraizada na busca incansável do bem comum, e não apenas do poder, poderemos esperar uma governança que de fato sirva à dignidade da pessoa humana.
Fonte original: ac24horas.com - Notícias do Acre
⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.
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