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Corinthians: Demissão de Dorival e o Custo do Imediatismo

Corinthians demite Dorival Júnior após títulos, expondo a lógica do imediatismo no futebol. A impaciência institucional impede o planejamento e devora o mérito real.

🟢 Análise

A demissão de Dorival Júnior do comando do Corinthians, anunciada na noite de domingo, rasga a terra fértil onde se esperava que um projeto ganhasse raízes e, em seu lugar, semeia a mesma areia movediça de sempre. A justificativa, uma sequência de nove jogos sem vitória, é um dado irrefutável, sim, mas a medida que o acompanha é um atestado de impaciência institucional, daqueles que confundem reação com planejamento e apressam a colheita antes mesmo da safra.

É justo reconhecer que nove partidas sem triunfos não se sustentam em clube algum, e a 16ª posição no Brasileirão acende um alarme legítimo. O torcedor, com sua paixão visceral, anseia pela vitória imediata, pela virada de mesa que purgue a má fase. Contudo, o que distingue o *povo* de uma mera *massa* reagente, como advertiu Pio XII, é justamente a capacidade de discernir o contexto, de ponderar a memória e de edificar com propósito. E o contexto aqui é inescapável: Dorival assumiu um Corinthians ferido, recém-eliminado da Libertadores e em posição de rebaixamento no Brasileirão de 2025, para, em menos de um ano, conduzir o time ao tetracampeonato da Copa do Brasil – quebrando um jejum nacional de oito anos – e, em seguida, à Supercopa do Brasil de 2026.

Chama a atenção a seletividade da memória. Um clube que reconhece internamente ter sofrido com "calendário apertado, elenco curto e com as lesões e baixo rendimento de atletas importantes" não pode, com a mesma facilidade, atribuir a um só homem a responsabilidade exclusiva pela turbulência. Sete reforços chegaram ao longo da gestão, mas a formação de um time coeso e performático é um trabalho contínuo, que exige tempo e a fortidão para resistir às pressões externas. A sanidade, como nos ensinaria Chesterton, está muitas vezes em enxergar o óbvio contra a loucura lógica das ideologias – neste caso, a ideologia do resultado a qualquer custo, que devora seus próprios campeões.

A Doutrina Social da Igreja, ao falar da subsidiariedade e da constituição dos corpos intermediários – e um clube de futebol, com sua função social e seu impacto comunitário, é um desses corpos –, aponta para a necessidade de dar autonomia aos níveis inferiores de decisão e de fomentar a estabilidade para a consecução dos bens próprios. A constante troca de comando técnico desorganiza o planejamento, fragiliza a hierarquia e impede a maturação de um estilo de jogo ou de uma cultura de trabalho. Não se pode exigir lealdade de um técnico a um projeto se o próprio projeto é descartável a cada virada de resultados.

A demissão de Dorival Júnior, portanto, não é apenas um fato esportivo; é um sintoma da grave enfermidade do imediatismo que aflige não só o futebol, mas diversas instituições em nossa sociedade. Trata-se de um juízo apressado, que peca contra a justiça ao desvalorizar conquistas reais e contra a prudência ao ignorar as causas mais profundas da instabilidade. A saúde institucional do Corinthians, a médio e longo prazo, exige mais do que meras trocas de peças no tabuleiro; demanda um discernimento que saiba ponderar os sacrifícios da construção diante da tentação da gratificação instantânea.

Ao se livrar de um técnico vitorioso que entregou dois títulos em pouco mais de um ano, o Corinthians reitera a tese de que a glória passada é efêmera e o mérito recente, descartável. É um ciclo que, se não for interrompido pela firmeza de propósitos e pelo respeito à continuidade, continuará a devorar seus próprios frutos, prometendo um futuro que nunca chega e perpetuando uma busca febril por um atalho que, na verdade, não existe. A verdadeira grandeza, afinal, é construída com paciência, justiça e a coragem de semear para além da próxima colheita.

Fonte original: Meu Tim�o

⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.

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