O presidente dos EUA, Donald Trump, previu nesta segunda-feira que a guerra no Oriente Médio poderia terminar em breve. A declaração surge em um momento de sinais conflitantes, com a liderança do Irã, sob o novo líder supremo linha-dura Mojtaba Khamenei, recebendo demonstrações de lealdade em meio a relatos de uma potencial escalada. Os mercados reagiram com volatilidade, registrando flutuações nos preços do petróleo e nas ações, antes de oscilarem em direções opostas após os comentários de Trump e as notícias sobre uma possível redução das sanções contra a energia russa.
Mojtaba Khamenei, 56 anos, um clérigo xiita, já havia sido declarado "inaceitável" por Trump, que exigiu a rendição incondicional do Irã. Trump afirmou que a guerra continuaria até que o Irã fosse "total e decisivamente derrotado", mas previu seu término iminente. "Ela será concluída muito rapidamente", disse ele a parlamentares republicanos, acrescentando: "Já vencemos em muitos aspectos, mas não vencemos o suficiente." O presidente não especificou, no entanto, a definição exata de vitória. A mídia estatal iraniana exibiu grandes multidões em várias cidades apoiando o novo líder, com a TV estatal relatando o som de explosões em Isfahan, próximas a aparentes ataques aéreos, enquanto partidários se reuniam na Praça Imam. Em mais um sinal de desafio, os militares do Irã anunciaram que intensificariam seus ataques com mísseis.
Políticos e instituições iranianas fizeram promessas de lealdade a Mojtaba Khamenei, cuja esposa, filho e mãe também morreram no início do ataque aéreo israelense-americano, segundo a mídia estatal. Uma declaração do Conselho de Defesa afirmou: "Obedeceremos ao comandante-em-chefe até a última gota de nosso sangue." A opinião dos iranianos contatados por telefone estava dividida. Zahra Mirbagheri, 21 anos, estudante universitária de Teerã, disse estar "muito feliz por ele ser nosso novo líder", vendo a escolha como "um tapa na cara dos nossos inimigos". Por outro lado, Babak, 34 anos, um empresário de Arak, expressou temor de que o novo líder destruísse as esperanças de mudança, notando que "a Guarda (Revolucionária) de elite e o sistema ainda são poderosos". Israel declarou que seu objetivo de guerra é derrubar o governo clerical do Irã, enquanto autoridades dos EUA dizem que o objetivo de Washington é destruir as capacidades de mísseis e o programa nuclear iranianos.
A guerra fechou o Estreito de Ormuz, responsável por um quinto do petróleo global e do gás natural liquefeito, por mais de uma semana. Os futuros do petróleo bruto Brent saltaram cerca de 7%, atingindo o preço mais alto desde 2022, após subirem até 29% durante a sessão, antes de cair no pós-mercado. Após conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, Trump disse que os Estados Unidos renunciarão a certas sanções relacionadas ao petróleo para aliviar a escassez. Em Teerã, uma refinaria de petróleo foi atingida, com o chefe da OMS alertando sobre possível contaminação. A Turquia informou nesta segunda-feira que defesas aéreas da Otan abateram um míssil balístico disparado do Irã, o segundo incidente desse tipo. Forças israelenses lançaram novos ataques no centro do Irã e em Beirute, no Líbano. Segundo o embaixador do Irã na ONU, ataques israelenses e norte-americanos mataram pelo menos 1.332 civis iranianos. O Líbano reportou mais de 400 mortos e quase 700.000 deslocados. Em Israel, um homem morreu perto do aeroporto de Tel Aviv, elevando para 11 o número de mortos em decorrência dos ataques iranianos.
A retórica da guerra, conforme apresentada na tese, frequentemente dissimula as complexas assimetrias de poder e os interesses econômicos que subjazem aos conflitos geopolíticos. O relato, ao focar na previsão de um "término rápido" e na "vitória" segundo a perspectiva de uma das potências, obscurece a natureza estrutural da violência e suas implicações distributivas. A volatilidade dos mercados de petróleo, a menção à redução de sanções contra a energia russa e a destruição de infraestruturas revelam que a guerra não é apenas uma disputa ideológica ou militar, mas um intrincado jogo de poder que reconfigura cadeias de suprimentos e acumula capital em poucas mãos, enquanto desarticula a vida de milhões.
A análise econômica de conflitos como este, à luz de pensadores como Joseph Stiglitz, revela como a guerra é um empreendimento de alto custo social, cujos benefícios se concentram em setores específicos, como o complexo industrial-militar e especuladores de commodities, enquanto os ônus recaem sobre a população. As sanções econômicas, apresentadas como instrumentos de pressão política, invariavelmente atingem com maior rigor os cidadãos comuns, que se veem privados de bens essenciais e de oportunidades econômicas, fomentando a vulnerabilidade social e aprofundando desigualdades já existentes, ao invés de desestabilizar apenas os regimes que visam. A premissa de que a "vitória" pode ser alcançada por meios exclusivamente militares ignora as raízes profundas de descontentamento e as aspirações por autonomia que muitas vezes alimentam a resistência.
Ademais, a narrativa hegemônica que acompanha esses conflitos, conforme criticada por Boaventura de Sousa Santos, opera um "epistemicídio", marginalizando outras vozes e concepções de mundo. Ao descrever a liderança iraniana como "linha-dura" e os protestos de apoio como "grandes multidões", o relato falha em aprofundar as nuances da opinião pública iraniana, dividida entre o apoio e o temor de que o novo líder "destruísse as esperanças de mudança". As mortes de mais de 1.300 civis iranianos e 400 libaneses, em contraste com as 11 mortes em Israel, expõem uma dramática assimetria no impacto humano do conflito, que transcende a lógica da retaliação e denuncia uma profunda violação de direitos fundamentais. A vida e a integridade de pessoas em uma região são consistentemente desvalorizadas em relação a outras, evidenciando uma necropolítica em ação, onde a capacidade de decidir quem vive e quem morre é central à manutenção de poder.
Para além da escalada, é imperativo que a comunidade internacional advogue por uma democratização das relações globais, que substitua a lógica da imposição unilateral por mecanismos de diplomacia multilateral e negociação genuína. Isso implica o desenvolvimento de políticas públicas inclusivas de reconstrução, que visem não apenas a infraestrutura material, mas também a recuperação social e psicológica das populações afetadas, com foco na redistribuição de recursos e na garantia de direitos. A busca por modelos alternativos de segurança deve priorizar a participação popular na construção da paz e o respeito à autodeterminação dos povos, combatendo as desigualdades estruturais que servem de terreno fértil para a perpetuação de ciclos de violência e instabilidade.
Conflitos no Oriente Médio: Em Busca da Paz Justa e Duradoura
A escalada de tensões no Oriente Médio, com a sucessão de lideranças, a volatilidade dos mercados e o clamor por "vitória" em meio à destruição, é um lembrete contundente da complexidade e da fragilidade da ordem internacional. Enquanto alguns vislumbram um término rápido para a guerra e outros buscam entender a intrincada dança de poder e interesses econômicos, a verdade é que, no centro de todo o turbilhão, reside a dignidade da pessoa humana, constantemente ameaçada por uma lógica que, muitas vezes, instrumentaliza a vida para fins geopolíticos. É imperativo que nos elevemos acima do mero relato factual ou da análise econômica, para buscar uma compreensão mais profunda, ancorada na prudência e no bem comum.
A Retórica da "Vitória Total" e Seus Custos
É inegável que a retórica da "vitória total", como articulada em certos discursos, simplifica perigosamente realidades multifacetadas. A ideia de que conflitos intrincados podem ser "concluídos muito rapidamente" por meio da força, sem considerar as raízes históricas, culturais e sociais, é uma tentação recorrente na política externa. No entanto, a Antítese nos adverte corretamente sobre os custos ocultos e as assimetrias de poder, sublinhando como a violência armada e as sanções econômicas frequentemente se traduzem em sofrimento desproporcional para as populações civis. Essa percepção do impacto humano e da concentração de benefícios econômicos em poucas mãos é uma preocupação legítima que a razão não pode ignorar.
Equilíbrio entre Legítima Defesa e Justiça Social
Contudo, se a tese peca por uma visão por vezes ingênua da eficácia da força, a antítese corre o risco de uma análise que, ao focar na "necropolítica" e nas estruturas de poder, pode obscurecer a agência moral e a necessidade de distinguir entre a legítima defesa e a agressão injusta. Como nos ensina Edmund Burke, as sociedades não são meras abstrações a serem reconfiguradas por grandes planos ideológicos, mas organismos complexos que demandam uma abordagem orgânica, cautelosa e respeitosa de suas tradições e aspirações. A busca por soluções duradouras raramente se encontra na imposição unilateral, mas tampouco se resume a uma condenação passiva da violência em todas as suas formas, desconsiderando as responsabilidades de cada parte.
A Prudência Aristotélica e a Busca pela Paz Justa
A superação deste embate reside na aplicação da prudência aristotélica, que nos convida a buscar o meio-termo e a agir com reta razão diante das realidades concretas. A paz, segundo a lei natural, não é meramente a ausência de guerra, mas a tranquilidade da ordem, a qual só é possível quando a justiça prevalece. Uma paz justa exige o reconhecimento dos direitos e deveres de todas as partes, a condenação da violência contra inocentes e a busca incessante por soluções dialogadas. Como sublinhou Hannah Arendt, o poder genuíno surge da ação concertada e do consentimento, enquanto a violência pura pode destruir, mas raramente constrói uma ordem política estável e justa.
O Bem Comum e a Doutrina Social da Igreja
O bem comum, no contexto internacional, exige que os interesses nacionais sejam articulados em harmonia com a dignidade universal da pessoa humana e a solidariedade entre os povos. A Doutrina Social da Igreja, particularmente na encíclica *Fratelli Tutti*, nos recorda que "a guerra nunca mais" pode ser considerada uma solução viável para os problemas do mundo. Os princípios da subsidiariedade e da solidariedade impõem que as potências globais apoiem a autodeterminação dos povos e a construção de instituições multilaterais robustas, capazes de mediar conflitos e promover o desenvolvimento integral, em vez de se engajarem em jogos de soma zero que resultam em devastação.
Diplomacia Ética: Priorizando a Vida e a Fraternidade
A verdadeira superação, portanto, transcende a polarização entre o pragmatismo militar e a crítica estruturalista para advogar por uma diplomacia orientada pela ética e pela visão de longo prazo. Isso significa não apenas condenar a agressão, mas também investir em mediação, em programas de ajuda humanitária e na reconstrução de sociedades, atendendo às necessidades básicas das populações e restaurando as condições para uma vida digna. Priorizar a vida, a justiça e a fraternidade em todas as ações políticas internacionais é a via mais segura para que a paz, longe de ser uma mera ausência de conflito, se estabeleça como um bem duradouro e universal.
É tempo de abandonar a ilusão de vitórias rápidas alcançadas pela força e a resignação fatalista perante as desigualdades, para abraçar uma política de verdadeira magnanimidade. Que os líderes, inspirados pela razão natural e pelos mais altos ideais morais, busquem incansavelmente o diálogo e a cooperação, colocando a dignidade de cada ser humano e o bem comum de toda a família humana acima de quaisquer interesses particulares ou ideologias limitadas. Somente assim poderemos aspirar a uma ordem internacional mais justa, pacífica e verdadeiramente humana.
Fonte original: Terra
⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.