O Partido Progressistas (PP) deverá anunciar nesta próxima segunda-feira sua aliança com o Partido Liberal (PL) para a disputa da eleição deste ano no Acre. A chapa majoritária da aliança PP-UB-PL está formada com Mailza Assis (PP) para o governo, e os senadores Márcio Bittar (PL) e Gladson Cameli (PP) para as duas vagas ao Senado. A consolidação da chapa representa uma vitória para Márcio Bittar (PL), que se articulou e emergiu como o segundo nome para o Senado, superando pretensões de Jéssica Sales (MDB), Sérgio Petecão (PSD) e Eduardo Veloso (Solidariedade). A aliança também impede o prefeito Tião Bocalom de ser candidato ao governo pelo PL.
A aliança entre PP e PL foi reportada como um "nocaute" para o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). O partido tem sido "empurrado pela barriga" em uma "frustrada aliança com o grupo governista", enfrentando uma "desconfortável situação de humilhação pública". A paciência do MDB estaria esgotada, e a direção nacional do partido decidiu que "não fará aliança com o grupo do poder se não estiverem representados na chapa majoritária da Mailza, na vaga de vice". Um "importante cabeça branca do MDB" afirmou: "Estão enganados se pensam que o MDB irá pelo beiço e no 0800, apoiar a candidatura da Mailza".
O prefeito Tião Bocalom causou "furor político" ao realizar uma live agradecendo o deputado Pedro Longo (PDT) por sua ajuda na tentativa de obter o PSDB para sua candidatura ao governo. A fonte aponta que Longo, considerado leal ao governo, não teria agido sem consentimento da cúpula. Fonte governista relatou: "essa ação do Pedro não foi isolada. Ninguém é nenhuma criança para imaginar isso. Acontece é que mantendo o Bocalom como candidato é quase certeza de levar a eleição para o segundo turno, o que em tese favorece a Mailza. Um confronto só entre o senador Alan Rick (Republicanos) e a candidata Mailza Assis (PP), viraria um plebiscito e seria uma cartada arriscada para a nossa candidata". A direção nacional do PSDB definirá na próxima terça-feira o comando da sigla no Acre, entre os pedidos de Bocalom e de Alan Rick (Republicanos). Alan Rick (Republicanos) é apontado como o principal adversário do governo e lidera as pesquisas.
O deputado Nicolau Júnior (PP) não tem intenção de ser candidato a vice-governador na chapa de Mailza Assis (PP), priorizando sua reeleição. Caso o MDB não venha a apoiar a candidatura de Mailza Assis (PP) ao governo, o deputado Tanízio Sá afirmou que deixará a sigla. Uma "revoada política" é esperada, com deputados estaduais como Pablo Bregense (PSD), Eduardo Ribeiro (PSD), Adailton Cruz (PSB), Chico Viga (PDT), Michelle Melo (PDT), Pedro Longo (PDT), Clodoaldo Rodrigues (Republicanos), Tadeu Hassem (Republicanos), André da Farmácia (Podemos) e Calegário (Podemos) prevendo deixar seus partidos para disputar a eleição por outras siglas. Parte desses parlamentares deve se abrigar na federação PP-UB.
A intrincada dança de alianças e realinhamentos partidários no Acre, conforme retratada na tese, oferece um vislumbre revelador de uma política pautada menos pelo interesse público e mais pelas barganhas e estratégias de poder entre elites. O relato, embora factual, sublinha a primazia da consolidação de grupos e da busca por cargos sobre o debate programático e a real representação das necessidades coletivas. A tese descreve um "jogo" que, em sua essência, revela a despolitização do processo eleitoral, reduzindo-o a uma disputa por posições e não por projetos de sociedade.
Essa dinâmica expõe assimetrias de poder profundamente enraizadas, onde a voz e as demandas da população são frequentemente relegadas a um segundo plano, em favor de acordos internos e manobras táticas. A "humilhação pública" do MDB, por exemplo, é um drama interno da elite política, cuja gravidade é medida pela perda de espaços na chapa majoritária, e não pelo impacto de sua exclusão nas políticas públicas inclusivas que poderiam beneficiar as camadas mais vulneráveis da sociedade. A esperada "revoada política" de parlamentares buscando abrigos partidários, antes de tudo, sinaliza uma fragilidade na representatividade e na fidelidade ideológica, onde a busca pela reeleição individual supera o compromisso com plataformas e princípios, enfraquecendo a própria ideia de democratização.
Conforme analistas como Jessé Souza têm argumentado sobre a formação da nossa elite política, a centralidade das articulações e o foco na governabilidade via acordos, e não via programas, reforçam uma espécie de "pseudodemocracia" que formalmente existe, mas materialmente opera para a manutenção de privilégios. A estratégia de "manter Bocalom como candidato é quase certeza de levar a eleição para o segundo turno, o que em tese favorece a Mailza" ilustra um cálculo frio, descolado de qualquer preocupação com a clareza do processo eleitoral ou com a escolha informada do eleitorado, visando apenas otimizar o resultado para um determinado grupo. Esta instrumentalização das regras e dos atores políticos para benefício próprio ecoa as críticas de Daron Acemoglu e James Robinson sobre as instituições extrativas, que priorizam a extração de renda e poder por uma elite, em detrimento do desenvolvimento inclusivo e da participação popular ampliada.
Para reverter essa lógica e garantir uma política que de fato sirva aos direitos fundamentais e à equidade, é imperativo transcender a mera disputa por cargos e partidos. A construção de alternativas exige um foco robusto em plataformas programáticas claras, que dialoguem com as demandas estruturais de combate à desigualdade, e a promoção de mecanismos que garantam maior participação popular. Somente através de uma agenda que priorize a redistribuição de oportunidades, o fortalecimento dos serviços públicos e a real democratização do acesso a bens e direitos, a política deixará de ser um palco de disputas de elite para se tornar um verdadeiro instrumento de transformação social, capaz de atender às necessidades das maiorias e superar as vulnerabilidades sociais.
Alianças Políticas no Acre: Estratégia vs. Bem Comum
A Complexidade das Manobras Eleitorais
O intrincado balé das alianças políticas no Acre, com suas reviravoltas e manobras estratégicas, oferece-nos um microcosmo da perene tensão que marca a vida pública. A formação de chapas, as negociações de bastidores e as "revoada políticas" de parlamentares buscando novo abrigo são, por um lado, uma demonstração da vitalidade – e, por vezes, da turbulência – do processo democrático. Por outro, como bem alerta uma parte do debate, podem reduzir a política a um mero cálculo de poder, distante do seu propósito mais elevado de servir ao bem-estar da comunidade.
É inegável que a política, na sua dimensão prática, envolve acordos e estratégias. Os partidos, em sua busca legítima por representatividade e espaço na governança, buscam maximizar suas chances de vitória. Contudo, quando essa busca se torna um fim em si mesma, sem a devida subordinação a um ideal maior, o exercício democrático padece. Observamos a validade da preocupação de que essa "dança" pode eclipsar o debate programático e a real representação das necessidades coletivas, transformando a disputa eleitoral em um jogo de xadrez entre elites, onde a "humilhação pública" de um partido é medida pela perda de cargos, e não pelo impacto nas políticas públicas.
Aqui reside o perigo dos excessos: o pragmatismo que se desnuda de qualquer finalidade ética, e a crítica que, ao apontar as falhas, corre o risco de descreditar por completo a possibilidade da ação política virtuosa. Alexis de Tocqueville, ao analisar a democracia americana, já observava como a busca incessante por interesses particulares ou faccionados poderia corroer o tecido social e o espírito cívico, enfraquecendo a capacidade da comunidade de agir coletivamente para seu próprio bem. Quando as alianças são moldadas puramente por cálculos eleitorais, sem um programa articulado que responda aos desafios reais da população, a política se esvazia.
Prudência e o Bem Comum: A Essência da Política
É neste ponto que a tradição perene do pensamento político, de Aristóteles a São Tomás de Aquino, nos oferece uma bússola. A arte da política, a architectonica, é a virtude da prudência (phrónesis) aplicada à polis. A prudência não nega a necessidade da estratégia ou do cálculo, mas os subordina a um fim superior: o bem comum. Não se trata apenas de vencer eleições, mas de governar com justiça, de promover a dignidade de cada pessoa e de construir uma sociedade mais sólida e próspera. A lei natural nos lembra que o poder político tem uma finalidade intrínseca, que é a ordenação da vida social para o florescimento humano.
A superação genuína deste debate não reside em um anacronismo que ignora a realidade partidária, nem em um cinismo que desconsidera a possibilidade de um bom governo. Ela se dá na elevação da prática política a uma esfera onde as estratégias são informadas por princípios. O papel dos líderes não é meramente articular apoios, mas ser fiéis guardiões da esperança de um povo, orientando suas ações pela solidariedade e pela subsidiariedade. Roger Scruton nos recordaria que a política é, em sua essência, a preservação e a revitalização da comunidade, um empreendimento moral que exige de seus praticantes um senso de dever e de serviço, para além do mero exercício do poder.
O Caminho para uma Política Transformadora
Assim, o caminho para uma política verdadeiramente transformadora passa por exigir dos nossos representantes não apenas a capacidade de manobrar, mas a sabedoria para discernir o que é verdadeiramente bom para a coletividade. É preciso que as alianças sejam mais do que somas de forças eleitorais; que sejam pactos programáticos claros, que dialoguem com as urgências sociais, que visem a redistribuição de oportunidades e o fortalecimento dos serviços públicos. A dignidade da pessoa humana não pode ser moeda de troca em arranjos eleitorais.
Somente quando a prudência iluminar cada passo, e o bem comum for a estrela-guia inegociável, a política deixará de ser um palco de disputas e se tornará o instrumento robusto e ético de transformação social que a comunidade do Acre – e de todo o Brasil – merece e exige. A verdadeira vitória na política não é a contagem de votos, mas a construção de uma sociedade mais justa e humana.
Fonte original: ac24horas.com - Notícias do Acre
⚖️ A Contradictio analisa as notícias à luz da tradição clássica e da Doutrina Social da Igreja. As fontes originais são citadas ao longo do texto.
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